
O sino bateu e lá estava eu envolta em uma multidão assustadora e desconhecida. Meu primeiro dia de aula em uma nova escola em pleno agosto. Como era difícil encarar aquela situação, pois era nova em uma turma de alunos entronsados e unidos pelo início do semestre. Parecia um peixe fora d' água.
Ao entrar na sala de aula, uma surpresa: ele, aquele garoto que eu conheci na segunda série estava lá, na minha classe. Naquele momento, comecei a me ambientar e parecia que o tempo não havia passado. Mas a menina, apesar de agora ter alguns centímetros de altura a mais, mantinha aquela timidez que a tolhia de todas as formas.
Os dias foram se passando e o sentimento que havia adormecido começou a se aflorar. O sinal para o recreio era uma esperança de aproximação com aquele garoto nada tímido e um pouco soberbo. A escola parecia tão maior que meu corpo de menina e me separava de minha paixão secreta. O pátio era enorme e nos deixava correr à vontade em busca de alegria, descanso e brincadeiras.
Minha educação e inteligência despertavam tanto a atenção da professora, quanto a repulsa de colegas. Eu caminhava pensativa em meu mundo tentado entender o comportamento de meus colegas, enquanto o coração se agigantava no peito ao ouvir um certo nome.
Não tardou muito, certo dia, quando a professora havia saído da sala, o garoto encaminhou-se até minha carteira, eu gelei por dentro, pois ele pegou meu livro favorito e começou a insultar-me com palavras grosseiras... Que decepção!! Como ele soube da minha paixão secreta, por que sentia tanta raiva de mim? Havia apenas perguntas e uma lágrima, que num átimo teimava em se escorrer pelo meu rosto e eu tentando quase inutilmente contê-la. Quanta tristeza...
No outro dia apareceu na escola uma menina mais segura, que carregava não uma dor no coração, mas uma certeza de que aquele garoto não merecia seu mais puro sentimento...Ela, então, ergueu a cabeça e seguiu adiante até sua carteira, sabia que aquele seria um ano de grandes aprendizados e desafios, mas também sabia que não veio ao mundo para fugir de coisa alguma.
Elzenir Apolinário
Parabéns Elzenir pela crônica!!! Belo trabalho!!!! Esta releitura deixa-nos uma mensagem otimista diante da realidade da vida: seguir em frente mesmo que as condições não estejam propícias para isso. Caminhar sempre de cabeça erguida e esquecer fatos desagradáveis que possam vir a nos ocorrer.
ResponderExcluirAs vezes temos de aprender a duras perdas, mas não quer dizer que não haja uma felicidade a frente...
ResponderExcluirFique com Deus, menina Luiza Diziolli.
Um abraço.
Independente de quem os mereça ou não,os sentimentos serão sempre nossos;e valorosos pois senti-los toca-nos na alma...são tão verdadeiros e puros sentimentos de menina que podem assustar meninos,que não "podem"são tolhidos socialmente de se sentirem inseguros e gentis...E a história continua pela vida.Sabe em que acredito?Que todo amor terá sempre algo de "primeiro",no sentido de nos fazer sentir diferentes,e todos tem seu valor,pela oportunidade inusitada,ímpar que nos oferecem,e há que se aprender a não escondê-los nem mesmo de nós e não esperar nenhuma validação externa,pois são e serão sempre nossos,para serem compartilhados.Bjs
ResponderExcluiressas escritas são tão gostosas de se fazer, não é?
ResponderExcluire de ser ler, então, 'inda mais :)
tem tim burton lá no um-sentir :)
beijos.
Minha querida
ResponderExcluirAdorei ler o teu texto, tão real...tão vida.
Beijinhos com carinho
Sonhadora
Amanda, esta releitura é especial, pois conta com fidelidade uma situação real ocorrida na minha vida durante minha infância. Como disse, ergui a cabeça e segui em frente, machucada ou não. Bjs
ResponderExcluirDaniel, sim, havia ainda muita felicidade à frente e mais decepções e mais felicidade...isto é vida. Bjs
ResponderExcluirFabiola, triste sina a minha, assustando meninos e homens...rs. Quem sabe ainda haja alguém corajoso, valente que não se assustará...Mas na verdade tudo tem hora certa para acontecer. Lindas palavras. Bjs
ResponderExcluirÍ.Ta, escritas poéticas e reais, foi muito bom escrever e descobrir que carregamos pela vida a fora experiências negativas da infância...acho que foi para lavar a alma. Tim Burton é maravilhoso. Vou conferir!!! Bjs
ResponderExcluirSonhadora, é real, é minha vida que virou literatura, mas tudo o que foi relatado aconteceu. Por isso sua impressão. Obrigada!!!
ResponderExcluirQuerida,
ResponderExcluirobrigada pela visita ao meu Reino :) Seja sempre bem-vinda =]
Beijos e um fim de semana poético.
Felicidade Clandestina, obrigada vc pela retribuição. Volte sempre que puder. Bjs
ResponderExcluirEu adorei essa leitura... ela me ajudoum a ter idéias para escrever uma crônica lirica para mandar pra mim professora...e me ajudo a pensar melhor sobre o garoto que eu gosto
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