
Refletindo sobre a solidão, percebo o quanto nós seres humanos temos medo de ficar sós, do confronto com nosso eu, das feras que se escondem em nosso interior e que se explodem na condição solitária. Há pessoas que não conseguem ficar um minuto sequer sozinhas, não suportam a própria companhia. Mas é exatamente na solidão que travamos batalhas íntimas e descobrimos forças ignoradas em nós. O ser humano em seu momento só é capaz de revirar sua mente e esta batalha mental nem sempre é convidativa, pode ser temerosa.
Sós, descobrimos nosso verdadeiro eu, nossos limites e capacidades. Podemos nos conhecer de verdade. Fácil não é, pois num primeiro momento somos tentados a fugir de nós mesmos. Faz lembrar o filme: O Náufrago em que Tom Hanks, sozinho por 5 anos em uma ilha deserta, vê em uma bola de futebol seu melhor amigo, inseparável, Wilson, até mesmo arriscando a própria vida por ele. Isto demonstra nossa tamanha necessidade de comunicação.
A solidão é fera domável, quando a transformamos em nosso benefício próprio. No momento em que nos dispomos ao encontro de nós mesmos. O próprio Jesus Cristo meditou 40 dias e 40 noites em um deserto em busca de forças e respostas para enfrentar seu destino e este era um costume também de seus seguidores.
Vista por nós como boa ou má ainda restam seus ensinamentos, os quais só são possíveis dentro do silêncio que permite a visão de nosso mundo interior.
Elzenir Apolinário